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[4:54 PM]
Acende aqui
Olhar cabisbaixo olhando pro chão. Olhando formigas que passeiam esfomeadas em busca de um floco de açúcar pra adoçar a vida.
Os dias passam assim, solitários. Sendo percebidos nos movimentos lentos dos braços de um relógio.
Acende o meu cigarro pelo amor de Deus. Acende. Me acende. Me deseje, me queira, me olhe, me sinta por dentro, beije meu útero, cheire minhas entranhas.
ODOR.
Ácido caindo em forma de chuva (ácida).
Conhecer pessoas, coisas, poemas.
Palavras são palavras e nada mais. Em movimentos uniformes. Pouco contato de dedos e teclas. Barulhinho insensível. TOC TOC TOC (Sem batidas de porta, porque ele não veio essa noite).
E ele estava lá, assistindo filmes em um cinema qualquer, nos braços da mulher de cabelos looongos.
E ela estava lá. Se intoxicando de fumaça e sendo desejada por olhos.
Me masturba.
Não queria ser vulgar, mas na hora foi inevitável: você engole ou cospe?
Dados. Queremos dados. Queremos coisas concretas. Algo estatístico. Queremos fundamento teórico. Queremos as provas das palavras.
EU QUERO.
Chupe os meus dedos.
Diz que me ama.
Me chore.
Me quisera.
Me pedira.
Ano passado.
Estamos aí. On the road.
Acendendo coisas. Incendiando outras. Com o olhar fixo... no chão.
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