Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



domingo, junho 27, 2004


[10:22 AM]

Como um menino tão bonitinho pôde ficar com esse cérebro tão esquisito?

:::::::: kill the image

Texto em atos ?parkinsonianos?

I

Ponto final(.)

Quando as xícaras de café deixam de exercer efeito sob o sistema globo-ocular-pálpebras-cílios-retinas-retinosas tem-se a absoluta certeza de que o sono já chegou. Chegou a hora de repousar a cabeça sobre travesseiro e dormir tranqüilamente, deixando pra trás o dia que morreu. O dia que foi apagado da memória.


II

Tudo nessa vida tem que ser assim, uma troca de sutilezas de eu para o meu próximo, diálogos cadenciados, espontâneos, porém, trabalhados, para que não soem estúpidos demais. Assim como as idéias soltas que a gente escreve no papel e insiste em chamar de texto. Quanta mediocridade pra se ter a coragem de fazer isso, mas é verdade, eu o faço. Escrevo os textos mais estranhos e incoerentes do mundo. Alguns fazem sentido, outros simplesmente se tornam impossíveis de se ler, já nascem ininteligíveis. Sem sentido, cegos, surdos, mudos e aleijados, bastante aberráticos, alguns soam bonitinhos, mas são vazios.


III

E a mesma coisa é tratada todos os dias, sob diferentes pontos de vista, REPETIDAMENTE, já podendo ser taxada de redundante. Problemas éticos, sociais, religiosos, culturais, do mesmo ponto de vista, de célebres cérebros que se distinguem por inchaços demais e de menos em lugares escondidos. E é nessa hora que a gente deve mostrar toda a nossa revolta diante de um fato tão absurdo. Devemos gritar, espernear, sair as ruas e reclamar que somos simples filhotes esquecidos por alguém lá no reino dos céus. Reino dos céus... Humpf... Eu conheci uma ovelha que voava. E o céu a tomou de mim. Ou será que poderíamos pensar em um fato mais simples? Já sei, só pode ser isso: ?Ovelhas que voam se perdem no céu? ? E é agora que eu preciso espalhar panfletos fotográfico-visuais pela cidade, para que alguém me ajude a encontrar minha amiga e companheira.


IV

Alguns minutos depois, depois de mais um café que continua sem fazer efeito. Retoma-se o assento dos mesmos atos anteriores. Pensando. Gostaria de saber porque as pessoas sorriem tanto. Eu sou uma delas. Sou tímido, falo pouco. Mas rio e sorrio bastante, sei ser sério quando necessário. Só gostaria infinitamente de ter o dom de manter os meus dentes guardados para todo o sempre. É agora que entra a primeira dúvida existencial acerca do que gostaria que fosse de tal jeito, mas que, por algum motivo desconhecido, nunca será do jeito que deveria ter sido. Estamos entendidos até aqui?



V

Depois de preencher a primeira folha com os rabiscos imprecisos, retomam-se as tremedeiras de Parkinson e contenta-se descontente com o nome estrangeiro para se referir a algo universal. Dizem que o inglês é uma língua universal. Se o inglês é a língua universal, porque é que todo mundo não fala inglês? Talvez os problemas de comunicação do mundo fossem bem mais fáceis de se resolver do que se imaginava, seria necessário o pagamento de um curso de inglês com um método fodidamente didático para se aprender outra língua em apenas duas horas. Acho que ocorreu o momento divagação por aqui, certo? Não se deve dar muita importância pra essas coisas, já que esses momentos estarão presentes em quase todo o ?texto?. A palavra que me vem à mente por agora é: ABSTRATO! (Que também rima com substrato e extrato de tomate).


VI

Calma, respira fundo, deixa a cabeça oxigenar um pouco, pensa, acende um cigarro, respira mais um pouco. Tá mais calmo? Mais tranqüilo? Seu malacabado.


VII

Teorias imprecisas um dia poderão se tornar precisas sob pontos de vistas de estudiosos com cérebros bonitos e bem guardados dentro de uma caixa de fotografias esquecidas?


VIII

Tenho saudade da década de cinqüenta, apesar de ter nascido na década de oitenta, sinto saudade mesmo é da década de cinqüenta. Quando as moças usavam vestidos longos e cabelos laqueados. Quando a juventude ainda podia ser chamada de transviada. Hoje em dia a juventude é débil e desinteressada, e jamais poderá ser chamada de transviada. E mesmo que fosse chamada desse nome aí, provavelmente seria interpretado como um insulto, um atentado ao espírito másculo dos meninos de hoje em dia, e como o negócio hoje em dia é a lei do olho por olho, bala na cabeça, você provavelmente seria só mais um presunto em futuro estado de decomposição vermífuga.


IX

Opa, um tempo para atender telefonemas estranhos de pessoas que você realmente não se lembra, mas que conversa como se fosse um velho amigo de quem você sente muita saudade. O café do primeiro ato deve estar começando a afetar memória, sabe como é, cafeína demais deixam os neurônios preguiçosos... AIIIIIII (um lampejo? Ou seria um simples bocejo?).


X

Vaca. Animal quadrúpede produtor de leite. Mas também existem as figuras de linguagem que produzimos com a palavra. Minha namorada é uma vaca. Mas isso não vem ao caso. Ela faz teatro, musica e cinema, mas nas horas vagas gosta de dar a bunda pra desconhecidos. Mas não me importo. Ela tem liberdade pra fazer isso. Pelo menos por enquanto.

XI

Não sei porque o tempo passa e me decido por fazer um texto corrido em atos. Atos desconexos. Sem ligação alguma. Totalmente perdidos no tempo. E o pior de tudo. Atos separados por algarismos romanos. Não me lembrava dessas coisas. Os utilizava muito na 4ª série primária. Depois minha relação com eles se estreitou bastante. A gente acabou se desinteressando um do outro. Mas como toda boa amizade é assim, quando a gente se encontra a gente separa as coisas muito bem separadas. Bons amigos. Eu e os algarismo. Só os romanos, aqueles outros numerozinhos não me chamam a atenção. Muito dados eles. Gosta de coisa mais difícil. Ou não. Depende do dia.

XII

Celular celulóide deixando a vidinha mais emocionante. New message for you. Mas a mensagem não era pra mim. Era a freira da esquina querendo chamar minha mãe pra procissão das 16:00. Sabe como é. Tem gente que gosta de caminhar por aí de joelhos e deixa-los esfolados e depois oferecer as feridas para um Deus onisciente. Fazer o que. Tem coisa que a gente ainda não entende, mas pretende um dia entender, ou pelo menos, tentar.

XIII

Terminar um texto em atos com um número ímpares de atos realmente é bom. Vomitar coisas em atos. Palavras são para serem vomitadas essa é a verdade. Na verdade, não existe verdade. Nenhuma. Somente um monte de bobagens. Mas sabe como é, sexta-feira treze teve um monte de seqüências. Talvez o texto em treze atos ?parkinsonianos? também tenha. Não. Eu só queria deixar as coisas assim. Com um gostinho de quero mais. Mas não tem mais. Acaba assim. Da mesma maneira que começou. Sem sentido algum, tosco (o autor russo) e com um ponto final.


 


Postado por Sr. R. at 10:22 AM