Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



segunda-feira, junho 28, 2004


[8:52 AM]

Estima

Numa mesa de bar, um grupo de pessoas conversa euforicamente. Todos falam alto e ao mesmo tempo.

- É impressionante. Interessante, original, denso...
- Muito bom e direto!
- Tenho orgulho de saber que existem pessoas como ele representando a nossa geração.
- E o texto é criativo, fluído, inteligente...
- Eu me identifico totalmente!
- Alguns diálogos tiveram um efeito bombástico em mim.
- É. Eu passei mal. Ainda não consegui forças para ler tudo. Foi um choque ler palavras como as minhas em situações que poderia ter vivido há uma semana - só que nos textos de outra pessoa.
- Eu nunca vi algo tão profundo e tão escroto ao mesmo tempo, mas é muito maneiro. O cara é melhor poeta vulgar que eu já vi.
- É como um Dalton Trevisan, só que mais urbano... Mais psicodélico...
- Eu queria ter a coragem de escrever assim.
- Parece que Bukowski vive e mora em BH.
- Acho que os textos demonstram claramente quais são as obsessões sexuais dele...
- Homens, mulheres, sexo solitário, desencontro, solidão, algum rancor, o cotidiano...
- Mas ele deveria escrever mais.
- Concordo. Atualiza muito pouco a página...
- Eu sempre vou e não tem nada de novo. Já li tudo.
- Já enchi o saco do cara... Mas ele é meio estranho.
- Duas caras... Ambíguo demais. Muito subtexto. Não tenho saco pra ele.
- Tem gente que só é boa escrevendo.
- É.


 


Postado por Sr. R. at 8:52 AM