Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



segunda-feira, junho 28, 2004


[9:34 AM]

Suicídio

E parei de escrever em Blogs. O dia tinha começado muito bem. Mas essas merdas de comentários acabaram com o meu dia. Opiniões opiniões opiniões. Todo mundo tem uma. Mas eu não quero saber. Essa é a verdade. Cansado demais. Tô parecendo um velho. Não quero isso pra mim. Me deixa beber sossegado, vomitar minhas palavras em meus cadernos pautados, que se fodam os blogs e os comentários. O meu livro começou a ser feito. Vontade de escrever. Não aqui. O blog cometeu suicí­dio. Morreu. Ao contrário dos outros, esse blog não será excluí­do, vai ficar aqui. Talvez um dia ele volte. Mas não quero. Os anti-depressivos fazem efeito, quando não se tem álcool na corrente sangüí­nea.

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P.S.: P.S.: Para não deixar dúvidas. Eu não sou a mocinha das fotos, eu sou homenzinho. A moça das fotos é a senhorita Kah ou Mimi, como preferir. Eu simplesmente peguei as fotos da moça bonita pra escrever textos em cima delas. Portanto, sintam-se à vontade e se apaixonem pela moça...

P.S2.: A foto da moça se tocando não é a senhorita Kah ou Mimi, como preferir. Aquela foto é de uma moça desconhecida, de algum lugar do mundo. Só pra colocar os pingos nos 'is' e não deixar dúvidas com relação a essas coisas. Sabe como é. É melhor evitar problemas desde sempre.

Só pra dar um desfecho bonitinho pro post suicídio:

a trituração

muito
muito pouco

muito gordo
muito magro
ou ninguém.

gargalhadas ou
lágrimas

odiadores
amantes

estranhos com rostos como
as costas de
percevejos

exércitos correndo por
ruas de sangue
acenando garrafas
baionetando e fodendo
virgens.

ou um cara velho num quarto barato
com uma fotografia da M. Monroe.

há uma solidão tão grande nesse mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.

pessoas tão cansadas
mutiladas
ou pelo amor ou por nenhum amor.

as pessoas não são boas umas às outras
num todo.

os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.

temos medo.

nossos sistema educacional nos diz
que podemos todos ser
vencedores rabudos.

não nos disseram sobre
as sarjetas
ou os suicídios.

ou o terror de uma pessoa
doendo em um lugar
sozinha

intocada
infalada

regando uma planta.

as pessoas não são boas umas às outras.
as pessoas não são boas umas às outras.
as pessoas não são boas umas às outras.

acho que nunca serão.
não as peça para ser.

mas às vezes eu penso sobre
isso.

as contas balançarão
as nuvens enuviarão
e o assassino decapitará a criança
como se mordesse uma casquinha de sorvete.

muito
muito pouco

muito gordo
muito magro
ou ninguém

mais odiadores do que amantes.

as pessoas não são boas umas às outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.

enquanto isso eu olho para as jovenzinhas
impedirem
flor da possibilidade.

tem que haver um jeito.

certamente há um jeito que ainda não
pensamos.

quem botou esse cérebro dentro de mim?

ele chora
ele reclama
ele diz que há uma chance.

ele não diz "não."

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Postado por Sr. R. at 9:34 AM