Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



terça-feira, julho 20, 2004


[9:30 AM]

 
 
:: Saco de papel

Dor. Sempre essa filha da puta. Sempre ela cobrindo o mundo como uma bomba atômica, arrasando tudo, matando tudo.
Sempre longe, sempre sozinha. Sempre essas lágrimas caindo e entrando na minha gola. Amor demais. Eu amo demais, gente demais. Eu erro demais. Pensei que era um pássaro mas era só um saco de papel. Dor, dor, dor, ela me tem o tempo todo, me corrói o tempo todo. O tempo todo é lento. Sempre lento.
Não, eu nunca vou aprender. As mãos dele tremem demais e eu não consigo segurar e eu queria segurar. Queria a tua mão. Só a tua mão. A tua mão e os teus olhos. Me olha nos olhos. Me dá a mão. Me dá a mão e me olha nos olhos. Me dá a mão e me olha nos olhos e pára de tremer. Te olha no espelho, te olha nos olhos e segura a tua mão.
Fiquei louca de novo hoje. Chorei na frente de todo mundo. Chorei tão baixinho, tão dolorido, gani tão baixinho que ninguém teve coragem de chegar perto. Chorei com os teus olhos na minha cabeça. Amor demais.
Não adianta esconder dos outros quando sabe o que acontece dentro da gente. Não adianta não me olhar pra tentar não ver. Não adianta colocar a sujeira pra baixo do tapete. Alguém sempre acaba achando e mandando limpar tudo, onde já se viu sujeira debaixo do tapete? Limpa a tua sujeira. Limpa as tuas feridas. Limpa a tua alma e a minha junto.
Dor. Sempre essa merda de dor. Sempre. Não agüento mais. Acho que chega.

P.s.: Fotinho da amiga Barbara Allain depois de um tombo de bicicleta pelas ruas de Paris.







 


Postado por Sr. R. at 9:30 AM