Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



quinta-feira, julho 22, 2004


[3:45 AM]

Espelho

eu sou Rogério Gontijo
ex-bêbado
e punheteiro compulsivo
vomitador madrugueiro de bebida boa
beijador de mulheres de lábios roxos
escritor de poemas celebrando
o vazio do meu amor
poemas famintos pelo momento
da minha paixão
desejando que sempre fosse assim
para que meu pau não caísse

eu sou Rogério Gontijo
ex-homem forte
e amantezinho barato
nomeador madrugueiro de nomes
corruptor dos literatos
escritor de poemas que ousam
que sonham os séculos
a tocar os corações dos que
ainda irão nascer
desejando segurá-los em meus braços
e beijá-los todos

eu sou Rogério Gontijo
ex-poeta
e suicida fracassado
vomitador madrugueiro de verdades e mentiras
beijador dos rabos de garotas
como as estrelas de deus
escritor de poemas para lamber as coxas dos mortos
para as ex-amantes denunciarem
e as professoras odiarem
desejando pintar minha vida
e nunca deixar
que minha voz se cale







 


Postado por Sr. R. at 3:45 AM