Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



domingo, julho 04, 2004


[5:58 AM]

Nuvens cinzas no céu azul

Não conheci o cheiro bom, não conheci o rosto bonito, as tatuagens bem feitas. Não olhei nos olhos, não senti o abraço, não bebemos no mesmo copo, não choramos pelo mesmo motivo.

Você me perguntou um dia porque eu só falava coisas quando você estava com um outro alguém. E a verdade é que você me ligava pra falar do outro alguém, chorava pelo outro alguém. Não eram minhas as palavras que você queria ouvir. Eu não podia atropelar tudo isso pelo simples motivo de querer alguém. Não podia. Seria insensível, seria burro demais. Não queria ser só um tapa buraco na sua vida. Te queria. Inteira. Por completo. Não um poço de lágrimas e lamentações. Precisava de tempo.

E agora você tá longe. Tentando superar o choro. Tentando esquecer alguém que ainda dói dentro do peito.

Fiquei magoado em saber o que você pensava a meu respeito. Um simples alguém pra ouvir suas lamentações. A pessoa que falava coisas simplesmente pra tentar fazer sexo com você. Me senti a mais vil das pessoas. Baixo. Detestável. Não estava de saco cheio senhorita. Não estava. Não me cansava de ouvir sua voz doce no telefone. Gostaria de ficar o dia inteiro ouvindo você sussurrar seus 'problemas'. Queria poder varar a noite escrevendo coisas pra você. Mas não era a mim que você queria ouvir. Não era.

Você:
A única pessoa que conseguiu me fazer chorar por dentro. Sem verter uma lágrima sequer.
A pessoa que me deixou vazio na quarta-feira à tarde.
A pessoa que fingiu me querer querendo outrém.
Alguém que me adorava porque eu conseguia ouvir. E não me importava e não me cansava de ouvir.
Chorei.
Não por você. Chorei por mim. Chorei pelo menino de tênis vagabundo nos pés. Chorei pelo escritor medíocre. Chorei pelo cigarro que eu fumava. Chorei pela vida que eu não tinha. Chorei por gostar demais dos outros. Chorei por querer segurar tudo com minhas únicas duas mãos fracas. Chorei pelos meus acordes mal feitos. Chorei por ser eu. Chorei por mim. Chorei por saber que apesar de todos os pesares. Não sou quem eu deveria ser.
Fico com minha consciência tranqüila. Não fui sacana. Não me aproveitei de ninguém, não me aproveitei em nenhum momento da fragilidade da linda menina linda. Poderia, mas não o fiz. Por mim.

Não sei como tudo fica agora. Não sei o que pensar amanhã. Não sei se quero pensar. Não sei se preciso. Não sei se posso.

Não sei se a vida continua ou se tudo vai continuar sendo só mais um amontoado de mentiras coloridas.

Não sei. Essa é a única certeza que eu posso ter. Não saber de nada.


 


Postado por Sr. R. at 5:58 AM