Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



sexta-feira, julho 02, 2004


[4:58 AM]

Vamos ser brandos... Na semana que vem eu volto ao normal e volto a ser eu novamente... Mas agora eu vou ser bastante piegas, um verdadeiro amante paraguaio. Semana que vem as palavras esdruxulas de baixo calão reaparecem... Nada como álcool nas veias no final de semana pra melhorar o humor da gente, aí eu excluo esse monte de post 'nauseante'...

:: música

Eu não aguentava mais ouvir aquele cd. Era ótimo, era da minha banda favorita, mas não dava mais. Eu passei todo o final de semana ouvindo e não queria continuar ouvindo segunda-feira de manhã. Eu estava levando o carro pra lavação e quando faço isso tenho o hábito, por segurança, de retirar tudo o que tem dentro, inclusive o porta-cds. Só ficou esse cd, dentro do som.
Pela primeira vez em muito tempo eu me rendi. Sim: FM. Escolhi uma freqüência modulada qualquer pra não ter que dirigir assoviando ou cantando com minha voz feia. O locutor falava: ?Agora nós vamos desenterrar uma música que deve ter sido pano de fundo pra muito começo de romance?. Antes que desse tempo pra eu mudar de estação ouvi os primeiros acordes daquela música. Meu Deus, música de novela antiga. Que coisa mais brega, fora de tempo, inadequada. Meu Deus, eu adoro essa música. Vergonha, horror. Passei minha sétima série toda, quiçá a oitava, dançando essa música com as minhas colegas de classe. Ainda sei cantar inteirinha. E cantei, feliz, lembrando as festinhas com muita coca-cola e poucos beijos, talvez uns selinhos inexperientes daquelas pequenas pessoas de doze ou treze anos.
Parei no sinal. Do meu lado um ônibus lotado, como era habitual naquele início de manhã. Em uma das janelas estava uma menina linda com a cabeça encostada na janela, olhos fechados, fones no ouvido e cantando aquela musica. Sim, a menina devia ter enjoado da sua fita ou do seu cd e estava ouvindo rádio. A mesma estação. Eu queria gritar ?Hei, menina, olha aqui, também sei a letra, eu gosto dessa música?.Mas acho que ela não queria que ninguém gritasse. Seus olhos fechados não deviam ser de cansaço, muito menos do famigerado sono de um início manhã. Ela devia estar lembrando do selinho desajeitado que ganhou de algum rapaz quando ela tinha treze anos, ou talvez dos tempos em que dançava coladinha com o menino que a adorava e ela sempre desprezou.
Por um momento desejei que aquele ônibus parasse e eu a convidasse pra dançar coladinho aquela música de novela antiga, tocando numa FM qualquer. Quem dera fosse eu quem tivesse dado o selinho desajeitado naquela menina, que ia embora num ônibus lotado em uma segunda-feira de manhã.

P.s.: Selinho selinho selinho... a gente já passou da época do selinho... mas... era pra ser braaando.



 


Postado por Sr. R. at 4:58 AM