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[11:12 AM]
Amanhã lá, naquele lugar
Nisto (prep em + pron demont. isto), 08 de agosto de 2004.
Todas as coisas tem verdades escondidas por detrás daquela aparência inocente de meninas puras e delicadas. Coisas. Formas. Sem vida. Cultura.
Anda difícil crescer por essas bandas de cá. Medo. Somos adeptos da cultura do medo. Temos medo de sair de casa e nos divertir. Temos medo de enfrentar a selva brasileira. A lei do olho por olho e do dente por dente. Medo de ir ao teatro enriquecer nossos olhares nervosos e vermelhos de ver desgraças em telejornais que conseguem altos índices de audiência mostrando notícias de decaptação no oriente.
Cadê minha cultura? Quando é que vou poder ir ao cinema, pegar ônibus no centro da cidade e poder levar o celular? Quando é que vou poder fumar sossegado meu cigarro sem ser amolado por um transeunte mal encarado me pedindo um trago? Quando é que vou poder andar com sacolas de livros sem ser perseguido? Quando? - Não tem quando. Hoje é um amanhã sem vida. Amanhã é uma história de ficção. Onde putas observam das sacadas cafetões queimando mamilos de bicha.
Hoje em dia no meio dessa parafernália toda de tecnologias digitais. Ficou mais chato sair de casa. Aluga-se DVD, ouve-se MP3 na tevê. Enquanto você conecta na internet e baixa as notícias do que aconteceu no mundo hoje. Tudo isso sem ter que sair do aconchego do seu lar. Uma vida sem riscos. Mas onde está a graça nisso tudo? Onde está a graça do pôr do sol? Onde está a graça dos ventos frios? Onde está a graça dos risadas estranhas? Onde está a graça das roupas coloridas? Onde está a graça do sorriso sem graça?
A vida nos prega peças estranhas. Não tenho o hábito de sair muito de casa. As amizades não ajudam. As noites muito menos. Já me jogaram isso na cara. Você não sai de casa e não cata mulher.' - O engraçado é que ser conquistador não é uma tarefa difícil. O difícil é achar gente interessante. Hoje em dia você não pode se atrever muito. As mulheres andam com navalhas afiadas escondidas dentro da meia calça, na altura das coxas. E toda noite que conta uma história começa ali, nas coxas.
Mas isso pouco importa. Isso daqui não é um blog de sensações pessoais acerca do que deveria estar sendo mas não é.
Vou começar a pensar o meu epitáfio. Sabe como é. É bom pensar no futuro. E essa é a única certeza que podemos ter dele (o futuro). Todo mundo enterra... Todo mundo é enterrado. Com terra esmagando os peitos. Sem caixão. Enterrados como indigentes. Em Voigordivodna. A cidade que só existe aqui. No preto e branco das retinas amarelas de vergonha.
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