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[3:21 PM]
::: Um dia qualquer quaisquerando
O dia começa e a gente nunca sabe como é que ele termina. Pode terminar esquecido em um porre homérico, com o corpo dolorido acordando no dia seguinte numa mesa de bar (qualquer). O gosto de cigarro paraguaio impregnado na língua, acordando com ressaca, dor-de-cabeça (ou seria dor na cabeça?), a camisa amarrotada, cheiro de álcool fermentado ou vinho vagabundo borbulhando pelos poros. O corpo fedorento. Os olhares desdenhosos dos transeuntes bem comportados. A decadência caminhando pelos ruas.
Enquanto se termina a noite caminhante por qualquer lugar. As baratas te fazem companhia, fazendo côcegas nos pés descalços (ou seriam beijos naqueles que não as pisam?).
Fumaça saindo da boca, não, o dia está insuportavelmente quente, não está frio, a fumaça só pode ser bafo. Enxôfre do diabo que te cutuca as costas com o tridente te levando pro caminho onde os olhos não se cruzam.
Pára por ali. Em qualquer quaisquerando qualquer coisa. Querendo tudo quaisquerando desdém, amor, sêmem, ventres que clamam por caralhos que socam até o útero.
A noite termina, ele ouvindo Calbi Peixoto com sua eterna música Conceição tocando em alguma vitrola velha que funciona com fichas, a ficha foi colocada por algum velho apaixonado, de oitenta e tantos anos de idade, o velho que mais tarde... Seria ele... Quaisquerando vinténs para ouvir eternas músicas que se tornaram póstumas diante os olhos da geração que nasceu logo ali... Semana passada... Num hospital qualquer.
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