Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



domingo, setembro 19, 2004


[1:56 PM]



Quando eu tinha treze anos, Ana me explicou que na calada da noite abria a porta para seu namorado entrar escondido dentro de casa. No quarto, colocavam o colchão no chão, um tapava a boca do outro para não fazer barulho, e tudo acontecia no escuro, garantia ela. - Mas era só uma rapidinha! Contava rindo com suas bochechas rosadas no auge dos dezesseis anos, e eu ficava pasmo durante as aulas, tentando entender o que de tão espetacular havia nessa tal de "rapidinha" que fazia o namorado dela atravessar quatro bairros de ônibus e voltar para casa de madrugueiro...


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P.S.: A moça da foto é a CATA (abreviação de Catarina). Uma argentina muito linda. A verdade é que argentinas são bonitas. A fotinha foi batida pela conhecidamente desconhecida: Barbara Allain.


 


Postado por Sr. R. at 1:56 PM  

terça-feira, setembro 07, 2004


[9:17 AM]

Marcèlle 5º dia de 7

Nada como 18 horas de sono. Acordar ainda meio sonolenta. Com um gosto meio amargo na boca. Idéias não são lembranças, lembrança sinônimo de memória, quem tem ressaca não tem memória. Portanto, ela estava ?deslembrançada?. Não estava, na verdade se lembrava muito bem da noite anterior, o gosto impregnado na língua não deixava nenhuma dúvida de que ontem não havia sido sonho. Até mesmo porque quem acha que sonhos são realidade são freiras, e ela não era freira, muito longe de querer adentrar nesse tipo de profissão.

Rolava de um lado para o outro na cama, estava acordada, mas não queria levantar, dia quente. Abafado. Ar praticamente irrespirável. Seco. Precisava de um banho gelado.

Chuveirada. Água limpa e transparente caindo daquele aparelho barulhento bem em cima da sua cabeça. Estava tudo tão quente que a água nunca saia fria, um morno-quase-isso talvez, mas não estava fria e gelada, talvez devesse ter desligado a chave geral. O desânimo de sair molhada no box não permitia que tal atitude fosse tomada.

Não queria ouvir música, não queria ver tevê. Não queria nada. Queria simplesmente estar ali. Ela e as memórias que não tinha tendo-as em sua cabeça. Foi pra varanda com uma folha pautada e uma caneta nas mãos. Não. Não ia escrever nada. Ia desenhar, Marcèlle detestava palavras, mas gostava de desenhos.

O sol torrando a cara. Gotículas de suor escorrendo pelas bochechas e marcando o chão. Quarenta e poucos graus Celsius deixando o clima insuportável.

Clima suportável é quando você não sente as virilhas assadas, quando o corpo não fica colado no lençol que cobre o colchão, é quando os cabelos não ficam constantemente molhados e quando a água que você bebe em temperatura ambiente não está em estado de ebulição.

Desenhou, mas não sabia o que tinha desenhado. Alguma coisa parecida com outra coisa, mas não era com aquilo, era com aquela outra coisa, não ficou satisfeita com o desenho. Bolinha de papel tentando adentrar na lata de lixo.

Marcèlle detestava tédio, mas hoje não estava se importando com ele. Apesar de acordar as duas da tarde e não ter vontade de dormir, não sabia o que fazer. Ligou pra pizzaria, pediu uma pizza pequena acompanhada de um refrigerante light. Aproveitou e ligou também pra drogaria, pediu uma caixa de Dramim e pronto. A noite estava salva.

Depois de comer assistindo algum filme que passava à tarde em um famoso canal de televisão brasileiro. O filme não era brasileiro. Programação de fora. Tradução. As bocas mexem, mas não diziam aquilo que elas estavam falando. Outra língua. De saco cheio de observar detalhes por hoje.

Escovou os dentes forçadamente, bochechou com água quente (a torneira soltava água quente, só água quente, clima quente). E tomou dois comprimidos de Dramim para dormir tranqüilamente.

Apagou. E o quinto dia de Marcèlle se deu assim. Inativo. Estava Invisible no ICQ. Hoje Marcèlle aplicou alguma lei física em si mesma. Ficou inerte. Para não se chatear com nada, para não ter que ficar desgostosa com tudo.



 


Postado por Sr. R. at 9:17 AM  

quarta-feira, setembro 01, 2004


[4:29 PM]

::: Porque um dia tudo VOLTA

E depois de um ano adormecido. Tenho o prazer de (re)apresentar: O retorno do filho querido.



 


Postado por Sr. R. at 4:29 PM  

 


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