Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



quarta-feira, junho 30, 2004


[9:36 AM]

Classificados

Preciso de:
Um feriado.
Um hobby novo.
Um depósito generoso na conta-corrente.
Um motivo para sair de casa.
Um disco novo para escutar direto.
Um remédio para dor de cabeça.
Uma pessoa simpática o bastante por nós dois.
Uma boa noite de sono.
Um dia inteiro sem usar sapatos.
Uma refeição decente.
Um filme.
Um livro para se ler inteiro numa tarde.
Um cochilo no meio de um programa de TV.
Uma cortina para não deixar o sol bater na minha cara.
Uma chuva para aumentar a umidade.
Um aquário.
Um cubo mágico.

etc
etc
etc



 


Postado por Sr. R. at 9:36 AM  

segunda-feira, junho 28, 2004


[9:34 AM]

Suicídio

E parei de escrever em Blogs. O dia tinha começado muito bem. Mas essas merdas de comentários acabaram com o meu dia. Opiniões opiniões opiniões. Todo mundo tem uma. Mas eu não quero saber. Essa é a verdade. Cansado demais. Tô parecendo um velho. Não quero isso pra mim. Me deixa beber sossegado, vomitar minhas palavras em meus cadernos pautados, que se fodam os blogs e os comentários. O meu livro começou a ser feito. Vontade de escrever. Não aqui. O blog cometeu suicí­dio. Morreu. Ao contrário dos outros, esse blog não será excluí­do, vai ficar aqui. Talvez um dia ele volte. Mas não quero. Os anti-depressivos fazem efeito, quando não se tem álcool na corrente sangüí­nea.

.
.
.

P.S.: P.S.: Para não deixar dúvidas. Eu não sou a mocinha das fotos, eu sou homenzinho. A moça das fotos é a senhorita Kah ou Mimi, como preferir. Eu simplesmente peguei as fotos da moça bonita pra escrever textos em cima delas. Portanto, sintam-se à vontade e se apaixonem pela moça...

P.S2.: A foto da moça se tocando não é a senhorita Kah ou Mimi, como preferir. Aquela foto é de uma moça desconhecida, de algum lugar do mundo. Só pra colocar os pingos nos 'is' e não deixar dúvidas com relação a essas coisas. Sabe como é. É melhor evitar problemas desde sempre.

Só pra dar um desfecho bonitinho pro post suicídio:

a trituração

muito
muito pouco

muito gordo
muito magro
ou ninguém.

gargalhadas ou
lágrimas

odiadores
amantes

estranhos com rostos como
as costas de
percevejos

exércitos correndo por
ruas de sangue
acenando garrafas
baionetando e fodendo
virgens.

ou um cara velho num quarto barato
com uma fotografia da M. Monroe.

há uma solidão tão grande nesse mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.

pessoas tão cansadas
mutiladas
ou pelo amor ou por nenhum amor.

as pessoas não são boas umas às outras
num todo.

os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.

temos medo.

nossos sistema educacional nos diz
que podemos todos ser
vencedores rabudos.

não nos disseram sobre
as sarjetas
ou os suicídios.

ou o terror de uma pessoa
doendo em um lugar
sozinha

intocada
infalada

regando uma planta.

as pessoas não são boas umas às outras.
as pessoas não são boas umas às outras.
as pessoas não são boas umas às outras.

acho que nunca serão.
não as peça para ser.

mas às vezes eu penso sobre
isso.

as contas balançarão
as nuvens enuviarão
e o assassino decapitará a criança
como se mordesse uma casquinha de sorvete.

muito
muito pouco

muito gordo
muito magro
ou ninguém

mais odiadores do que amantes.

as pessoas não são boas umas às outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.

enquanto isso eu olho para as jovenzinhas
impedirem
flor da possibilidade.

tem que haver um jeito.

certamente há um jeito que ainda não
pensamos.

quem botou esse cérebro dentro de mim?

ele chora
ele reclama
ele diz que há uma chance.

ele não diz "não."

.
.
.



 


Postado por Sr. R. at 9:34 AM  



[8:52 AM]

Estima

Numa mesa de bar, um grupo de pessoas conversa euforicamente. Todos falam alto e ao mesmo tempo.

- É impressionante. Interessante, original, denso...
- Muito bom e direto!
- Tenho orgulho de saber que existem pessoas como ele representando a nossa geração.
- E o texto é criativo, fluído, inteligente...
- Eu me identifico totalmente!
- Alguns diálogos tiveram um efeito bombástico em mim.
- É. Eu passei mal. Ainda não consegui forças para ler tudo. Foi um choque ler palavras como as minhas em situações que poderia ter vivido há uma semana - só que nos textos de outra pessoa.
- Eu nunca vi algo tão profundo e tão escroto ao mesmo tempo, mas é muito maneiro. O cara é melhor poeta vulgar que eu já vi.
- É como um Dalton Trevisan, só que mais urbano... Mais psicodélico...
- Eu queria ter a coragem de escrever assim.
- Parece que Bukowski vive e mora em BH.
- Acho que os textos demonstram claramente quais são as obsessões sexuais dele...
- Homens, mulheres, sexo solitário, desencontro, solidão, algum rancor, o cotidiano...
- Mas ele deveria escrever mais.
- Concordo. Atualiza muito pouco a página...
- Eu sempre vou e não tem nada de novo. Já li tudo.
- Já enchi o saco do cara... Mas ele é meio estranho.
- Duas caras... Ambíguo demais. Muito subtexto. Não tenho saco pra ele.
- Tem gente que só é boa escrevendo.
- É.


 


Postado por Sr. R. at 8:52 AM  



[8:47 AM]

Ato Reflexo

- Mas eu nunca seria má contigo...
- Eu sei, você sabe que eu sou um cara bom.
- É. E esse é o seu problema.
- Chega a ser cruel, não?
- Demais.
- ....
- Mas eu prefiro acreditar que é involuntário.


 


Postado por Sr. R. at 8:47 AM  

domingo, junho 27, 2004


[10:22 AM]

Como um menino tão bonitinho pôde ficar com esse cérebro tão esquisito?

:::::::: kill the image

Texto em atos ?parkinsonianos?

I

Ponto final(.)

Quando as xícaras de café deixam de exercer efeito sob o sistema globo-ocular-pálpebras-cílios-retinas-retinosas tem-se a absoluta certeza de que o sono já chegou. Chegou a hora de repousar a cabeça sobre travesseiro e dormir tranqüilamente, deixando pra trás o dia que morreu. O dia que foi apagado da memória.


II

Tudo nessa vida tem que ser assim, uma troca de sutilezas de eu para o meu próximo, diálogos cadenciados, espontâneos, porém, trabalhados, para que não soem estúpidos demais. Assim como as idéias soltas que a gente escreve no papel e insiste em chamar de texto. Quanta mediocridade pra se ter a coragem de fazer isso, mas é verdade, eu o faço. Escrevo os textos mais estranhos e incoerentes do mundo. Alguns fazem sentido, outros simplesmente se tornam impossíveis de se ler, já nascem ininteligíveis. Sem sentido, cegos, surdos, mudos e aleijados, bastante aberráticos, alguns soam bonitinhos, mas são vazios.


III

E a mesma coisa é tratada todos os dias, sob diferentes pontos de vista, REPETIDAMENTE, já podendo ser taxada de redundante. Problemas éticos, sociais, religiosos, culturais, do mesmo ponto de vista, de célebres cérebros que se distinguem por inchaços demais e de menos em lugares escondidos. E é nessa hora que a gente deve mostrar toda a nossa revolta diante de um fato tão absurdo. Devemos gritar, espernear, sair as ruas e reclamar que somos simples filhotes esquecidos por alguém lá no reino dos céus. Reino dos céus... Humpf... Eu conheci uma ovelha que voava. E o céu a tomou de mim. Ou será que poderíamos pensar em um fato mais simples? Já sei, só pode ser isso: ?Ovelhas que voam se perdem no céu? ? E é agora que eu preciso espalhar panfletos fotográfico-visuais pela cidade, para que alguém me ajude a encontrar minha amiga e companheira.


IV

Alguns minutos depois, depois de mais um café que continua sem fazer efeito. Retoma-se o assento dos mesmos atos anteriores. Pensando. Gostaria de saber porque as pessoas sorriem tanto. Eu sou uma delas. Sou tímido, falo pouco. Mas rio e sorrio bastante, sei ser sério quando necessário. Só gostaria infinitamente de ter o dom de manter os meus dentes guardados para todo o sempre. É agora que entra a primeira dúvida existencial acerca do que gostaria que fosse de tal jeito, mas que, por algum motivo desconhecido, nunca será do jeito que deveria ter sido. Estamos entendidos até aqui?



V

Depois de preencher a primeira folha com os rabiscos imprecisos, retomam-se as tremedeiras de Parkinson e contenta-se descontente com o nome estrangeiro para se referir a algo universal. Dizem que o inglês é uma língua universal. Se o inglês é a língua universal, porque é que todo mundo não fala inglês? Talvez os problemas de comunicação do mundo fossem bem mais fáceis de se resolver do que se imaginava, seria necessário o pagamento de um curso de inglês com um método fodidamente didático para se aprender outra língua em apenas duas horas. Acho que ocorreu o momento divagação por aqui, certo? Não se deve dar muita importância pra essas coisas, já que esses momentos estarão presentes em quase todo o ?texto?. A palavra que me vem à mente por agora é: ABSTRATO! (Que também rima com substrato e extrato de tomate).


VI

Calma, respira fundo, deixa a cabeça oxigenar um pouco, pensa, acende um cigarro, respira mais um pouco. Tá mais calmo? Mais tranqüilo? Seu malacabado.


VII

Teorias imprecisas um dia poderão se tornar precisas sob pontos de vistas de estudiosos com cérebros bonitos e bem guardados dentro de uma caixa de fotografias esquecidas?


VIII

Tenho saudade da década de cinqüenta, apesar de ter nascido na década de oitenta, sinto saudade mesmo é da década de cinqüenta. Quando as moças usavam vestidos longos e cabelos laqueados. Quando a juventude ainda podia ser chamada de transviada. Hoje em dia a juventude é débil e desinteressada, e jamais poderá ser chamada de transviada. E mesmo que fosse chamada desse nome aí, provavelmente seria interpretado como um insulto, um atentado ao espírito másculo dos meninos de hoje em dia, e como o negócio hoje em dia é a lei do olho por olho, bala na cabeça, você provavelmente seria só mais um presunto em futuro estado de decomposição vermífuga.


IX

Opa, um tempo para atender telefonemas estranhos de pessoas que você realmente não se lembra, mas que conversa como se fosse um velho amigo de quem você sente muita saudade. O café do primeiro ato deve estar começando a afetar memória, sabe como é, cafeína demais deixam os neurônios preguiçosos... AIIIIIII (um lampejo? Ou seria um simples bocejo?).


X

Vaca. Animal quadrúpede produtor de leite. Mas também existem as figuras de linguagem que produzimos com a palavra. Minha namorada é uma vaca. Mas isso não vem ao caso. Ela faz teatro, musica e cinema, mas nas horas vagas gosta de dar a bunda pra desconhecidos. Mas não me importo. Ela tem liberdade pra fazer isso. Pelo menos por enquanto.

XI

Não sei porque o tempo passa e me decido por fazer um texto corrido em atos. Atos desconexos. Sem ligação alguma. Totalmente perdidos no tempo. E o pior de tudo. Atos separados por algarismos romanos. Não me lembrava dessas coisas. Os utilizava muito na 4ª série primária. Depois minha relação com eles se estreitou bastante. A gente acabou se desinteressando um do outro. Mas como toda boa amizade é assim, quando a gente se encontra a gente separa as coisas muito bem separadas. Bons amigos. Eu e os algarismo. Só os romanos, aqueles outros numerozinhos não me chamam a atenção. Muito dados eles. Gosta de coisa mais difícil. Ou não. Depende do dia.

XII

Celular celulóide deixando a vidinha mais emocionante. New message for you. Mas a mensagem não era pra mim. Era a freira da esquina querendo chamar minha mãe pra procissão das 16:00. Sabe como é. Tem gente que gosta de caminhar por aí de joelhos e deixa-los esfolados e depois oferecer as feridas para um Deus onisciente. Fazer o que. Tem coisa que a gente ainda não entende, mas pretende um dia entender, ou pelo menos, tentar.

XIII

Terminar um texto em atos com um número ímpares de atos realmente é bom. Vomitar coisas em atos. Palavras são para serem vomitadas essa é a verdade. Na verdade, não existe verdade. Nenhuma. Somente um monte de bobagens. Mas sabe como é, sexta-feira treze teve um monte de seqüências. Talvez o texto em treze atos ?parkinsonianos? também tenha. Não. Eu só queria deixar as coisas assim. Com um gostinho de quero mais. Mas não tem mais. Acaba assim. Da mesma maneira que começou. Sem sentido algum, tosco (o autor russo) e com um ponto final.


 


Postado por Sr. R. at 10:22 AM  

sábado, junho 26, 2004


[4:54 PM]

Acende aqui



Olhar cabisbaixo olhando pro chão. Olhando formigas que passeiam esfomeadas em busca de um floco de açúcar pra adoçar a vida.

Os dias passam assim, solitários. Sendo percebidos nos movimentos lentos dos braços de um relógio.

Acende o meu cigarro pelo amor de Deus. Acende. Me acende. Me deseje, me queira, me olhe, me sinta por dentro, beije meu útero, cheire minhas entranhas.

ODOR.

Ácido caindo em forma de chuva (ácida).

Conhecer pessoas, coisas, poemas.

Palavras são palavras e nada mais. Em movimentos uniformes. Pouco contato de dedos e teclas. Barulhinho insensível. TOC TOC TOC (Sem batidas de porta, porque ele não veio essa noite).

E ele estava lá, assistindo filmes em um cinema qualquer, nos braços da mulher de cabelos looongos.

E ela estava lá. Se intoxicando de fumaça e sendo desejada por olhos.

Me masturba.

Não queria ser vulgar, mas na hora foi inevitável: você engole ou cospe?

Dados. Queremos dados. Queremos coisas concretas. Algo estatístico. Queremos fundamento teórico. Queremos as provas das palavras.

EU QUERO.

Chupe os meus dedos.

Diz que me ama.

Me chore.

Me quisera.

Me pedira.

Ano passado.

Estamos aí. On the road.

Acendendo coisas. Incendiando outras. Com o olhar fixo... no chão.


 


Postado por Sr. R. at 4:54 PM  

sexta-feira, junho 25, 2004


[10:05 PM]



Olá. E aí, tudo? Aqui tudo. Acabei de chegar. Saudade de mim? Eu tava morreeendo de você. Mor-ren-do. Voltei pra você. Me beija, me agarra, me lambe, me morde, me fode, toda. Preciso. Muito.


 


Postado por Sr. R. at 10:05 PM  



[6:02 PM]

FIM

Todo fim é como o início. Termina como começa. Feio e sem sentido. Monossilábico. Com um espaço vazio no meio. Com um simples 'Ta bom'.

Desconhecidos não são importantes. É verdade.

Conhecidos sim. Pois eles transmitem sensações.

Quem sou eu para julgar alguém? Quem sou eu? O que sou eu?

Mundinho construído por escolhas.

E somos todos, na verdade, a soma total de nossas escolhas.

O tempo não existe.

Saco de papel

Dor. Sempre essa filha da puta. Sempre ela cobrindo o mundo como uma bomba atômica, arrasando tudo, matando tudo.

Sempre longe, sempre sozinha. Sempre essas lágrimas caindo e entrando na minha gola. Amor demais. Eu amo demais, gente demais. Eu erro demais. Pensei que era um pássaro mas era só um saco de papel. Dor, dor, dor, ela me tem o tempo todo, me corrói o tempo todo. O tempo todo é lento. Sempre lento.

Não, eu nunca vou aprender. As mãos dela tremem demais e eu não consigo segurar e eu queria segurar. Queria a tua mão. Só a tua mão. A tua mão e os teus olhos. Me olha nos olhos. Me dá a mão. Me dá a mão e me olha nos olhos. Me dá a mão e me olha nos olhos e pára de tremer. Te olha no espelho, te olha nos olhos e segura a tua mão.

Fiquei louco de novo hoje. Chorei na frente de todo mundo. Chorei tão baixinho, tão dolorido, gani tão baixinho que ninguém teve coragem de chegar perto. Chorei com os teus olhos na minha cabeça. Amor demais.

Não adianta esconder dos outros quando sabe o que acontece dentro da gente. Não adianta não me olhar pra tentar não ver. Não adianta colocar a sujeira pra baixo do tapete. Alguém sempre acaba achando e mandando limpar tudo, onde já se viu sujeira debaixo do tapete? Limpa a tua sujeira. Limpa as tuas feridas. Limpa a tua alma e a minha junto.

Dor. Sempre essa merda de dor. Sempre. Não agüento mais. Acho que chega.

Quero ser podre. Quero apodrecer vivo. Podridão é inerente. Inevitável. Todo mundo tenta esconder a podridão com banhos e sabonetes e perfumes e clareamento de dentes. Dentes. Dentes podres, todo mundo sorri com dentes branquinhos mas são podres por dentro. Quanto mais brancos, mais podres. Quanto mais artificiais, mas ocas. Pessoas sem dentes são legais.

Quero ser puta e vender minhas carnes. Corpos são montes de carne, sacos de pele e ossos cheios de bichinhos que a gente nem vê e que passam o dia caminhando e nos comendo. Corpos só pesam. Almas são livres e hippies. Leves e de vestidos esvoaçantes. Não quero mais meu corpo. Não quero mais ter carnes. Não quero mais ter corpo.

Queria que não gostassem de mim. Queria que me jogassem tomates e repolhos e que eu fosse enforcado em praça pública. Queria ser maldito e sujo e poder ser insano em paz. Poder deixar meus cabelos desgrenharem e ficarem iguais aos da Josefina, a primeira boneca da minha irmã que tinha um black power.

Queria ter virado uma esquina diferente e não saber o que é isso que você me deu, essa pedrinha que brilha muito. Voltar no tempo, queria voltar no tempo. Pra que começar se não vai terminar? Queria voltar no tempo.

Jesus não salva. Jesus não vai voltar. Jesus tem um programa na tv. Jesus era negro. Jesus escreveu um cheque em branco. Jesus está invisível no icq. Jesus é um gênio surdo, mudo e analfabeto.

Não tem sol. É frio. É duro, é amargo. Olha e não quer ver. Não quer ver mesmo. Nem ouvir, nem explicar, nem nada. Não quer. Não pode. Não vai.

Queria não saber. Queria não conhecer. Burro, queria ser burro. Queria ser burro e são. São. Queria ser são. Queria ser são e burro e não chorar. Chorar é coisa de mariquinhas. Eu sou mariquinhas. Chorão.

Queria acordar e te contar meu sonho e ouvir o teu. Queria chorar muito no teu ombro. Queria poder te contar tudo que caminha dentro da minha cabeça.

Não quer ouvir, não quer ver, não quer explicar. Não vai, não pode, não quer.

Eu não vou continuar tentando. Não vou. Desisti.

Queria ser ontem. Semana passada. Mês passado. Hoje não. Hoje nunca. Mas ontem passou. E amanhã ainda não chegou.

Um dia chega. Agora chega.


 


Postado por Sr. R. at 6:02 PM  



[5:10 PM]

beijo. saudade. espera. amanhã vem. outrora existiu. caiu aqui. levantou. quis. parou. pensou. sorriu. e se foi... assim. sem abanar as mãos.



A primeira impressão realmente é a que fica? ? a apresentação

A menina que é quente demais para mim e meus dedos. Formas desconexas e cores pálidas transpirando sensualidade.

Mesmo que tua boca pareça que foi arrancada com as unhas, e teus velhos olhos de criança nadem em sangue escrito como péssimos sonetos.

O olhar da senhorita MIMI embaraça e perturba ? e não há nada que ela possa fazer a respeito. Tudo é odioso e odiador e digno de respeito. Tudo é extraordinário, obscuro, inevitável.

Me lembro da primeira foto, a visão me paralisou; talvez fosse o choque de te-la visto tão de repente, talvez fosse minha própria miséria naquele momento, mas aquele brilho louco e vítreo nos seus olhos me deram vontade de pular e dar umas porradas nela, e eu tive que me controlar (a verdade é que eu também não queria quebrar o meu monitor).

O cheiro particular da decadência impregnado em minhas narinas, adocicado e enjoativo, o cheiro da beleza juvenil ou o cheiro do envelhecer, o cheiro de uma mulher no seu processo de envelhecimento?

Funda e trágica

A mulher quente demais para mim e meus dedos. Quente demais pro menino estúpido de escrita medíocre. O menino que escreve coisas banais... Coisas que o mundo nunca vai ler e nunca vai ter a chance de esquecer.

Agora, a essa hora da noite (00:37). Eu me entrego a uma espécie de sono que substitui a inteligência.

Mas àquele perfume continua impregnado no ar.

E eu sou somente um estranho no meio desse cheiro todo.


 


Postado por Sr. R. at 5:10 PM  

quarta-feira, junho 23, 2004


[6:29 PM]

Enrrabar-se-à a quem 'desdém'.

E tem pessoas que se desligam do mundo. Deixando sensações e observações que deveriam ser feitas de lado. Caladas. Sem língua.
E estava cansado daquela coisinha estúpida das explicações tolas. Ninguém precisa de explicações. À não ser que você seja um padre e queria explicações, pois precisa julgar os meus pecados pra poder me punir. Cerrrrrto?

Sem olhos.

E querendo ou não, coisas acontecem. E eu não preciso ser insultado por ser desleixado e por quebrar acordos. Acordos não são promessas e promessas não são contratos, portanto, podem ser quebrados quando bem se entender.

Descombina-se combinados.

Desfaz-se o que foi teoria feita, pouca praxis. TEORIA.

Abuso.

Poder.
Palavras.

Lágrimas.

Sem regras.

ABUSO.
Explicações tolas.

Esporros de psicóticos que gostam de caminhar com passos firmes e com palavras bem elaboradas em milhares de livros de pesquisa.

TEORIA. TEORIA.
CONSIPIRAÇÃO.

Longe de ser o mais brilhante dos acadêmicos. Longe de ser acadêmico. Longe demais. De mim, de alguém, de qualquer coisa.
Sem lamentações.

Pobre coitado é a puta que os pariu.

Sem lágrimas. Choro de crianças que não choram mais.
Não enche a porra do meu saco pedindo explicações. Porque o mundo foi criado em 6 dias, e porque precisa-se explicar isso? Ou se acredita, ou se imagina novas formas de se derrubar isso.

Portanto.
Tudo acaba, tudo começa. O tempo inteiro.

Agora não é amanhã.
Ontem não é depois.

Hoje não é amém.


 


Postado por Sr. R. at 6:29 PM  

terça-feira, junho 22, 2004


[7:16 PM]

ABISMO

E agora o mundo é diferente. As pessoas que fedem gasolina ficaram para trás.
Looooonge.
Lá onde o sorriso se perdeu, lá onde o vazio é concreto, lá onde o nada tem meio.
Promessas não são contratos, portanto, podem ser quebrados.
Dias claros, dias escuros.
Como os que começavam e terminavam sempre do mesmo jeito, com aquele cheiro de enxofre que ficava impregnado nas narinas quando o sol se punha.
ABISMOS são grandes,
Difíceis de se tapar.
Fáceis de se cair.
Caminhar com os próprios pés é tarefa mais difícil do que se imagina, tarefa árdua que exigiu muito esforço,
De quem deveria ter tido.

PENITÊNCIA, PENITÊNCIA.

Ninguém é um saco de cimento para ser carregado, ninguém quer se escorar em ombros supostamente amigos. Pois ombros têm bocas... E te devoram com certa facilidade. Alicerces podem ser implodidos com certa tranquilidade, simples questão de BUUUUMMM!.
E pronto, foi-se o que tentou-se construir.
Não ficar parado.
Keep walking... keep walking (Boas lembranças para se ter porres homéricos).

Continue andando...
Pra beira do precipício, ou pra longe dele.
E no final das contas.
Bocas são objetos.
Mãos são fantasmas.
Pernas são rodas...
E sorrisos, simples dejetos.

E a certeza.

ABISMO.

Buraco grande demais para ser tapado.


 


Postado por Sr. R. at 7:16 PM  

domingo, junho 20, 2004


[5:02 AM]

Reencontrando um old-new-friend

- Que tal voltarmos a escrever espontaneamente? Sem preocupações com as pontuações. Pontuações deixam o texto devagar, pouco fluido. Deixa tudo assim, pontuado, mas sem se preocupar se as vírgulas e afins estão nos lugares certos, ok?

- Ok. Sem problemas, vamos acabar o debate/embate textual aqui por hoje, certo senhor Abnormal?

- Sem problemas senhor Mcnormal, estamos aqui pra isso. Diálogos breves em curtos períodos atemporais. Para se dizer coisas para ninguém.

- Eu tenho que te contar uma coisa.

- Pode falar, o que é?

- Mamãe disse que o senhor não existe, que você é fruto da minha imaginação e que eu preciso tomar remedinhos para parar de enxergar o senhor.

- Sua mãe deve estar abusando das drogas moço. é claro que eu existo, a gente não tá conversando por aqui?

- é, teoricamente sim. mas tu pode perceber que até as letras maiúsculas estão desaparecendo.

- a pergunta é. quem precisa delas?


 


Postado por Sr. R. at 5:02 AM  

 


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