Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



sexta-feira, julho 30, 2004


[7:57 PM]

Diálogo que virou monólogo.

- Olá moço melodramático, como é que andam as coisas?

- Porra, melodramático? Eu estava apenas sendo irônico e não melodramático, tô pouco me fudendo com o que vocês falam a meu respeito.

- Ah, mas eu achei que o seu último texto ficou com um "quê" de melodrama!

- Tu pode achar o que tu quiser, eu nem perguntei. Só disse que eu tava sendo irônico, e é o que eu realmente estava sendo, agora se tu quiser me chamar de melodramático ou xyz fotossintético... Paciência! Vou fazer o que? Ficar tentando argumentar com você sobre o que eu escrevi simplesmente para ouvir no final da sua última fraser: "mas eu achei que você foi melodrmático! Tá caralho, fala o que tu quiser.

- Mas não era pra você ficar bravo. Eu tava simplesmente expressando a minha opinião.

- Tu pode expressar o que tu quiser onde tu bem entender, mas aqui sua opinião será simplesmente expremida, isolada, deixada de lado.

- Você é um estúpido que não sabe argumentar.

- Argumentar sobre o que? Opiniões pessoais sobre o que eu disse ou deixei de dizer?

- É, basicamente é isso.

- Então vai se fuder.

- Mas... mas...

- Mas o que? Tá tentando falar ainda? Pára de falar. Vai pra casa, acende um cigarro, alugue um filme, estoure pipoca, chame a sua menina pra lhe ouvir e me deixa em paz.

- ... Você realmente ficou bravo.

- Não fiquei não. Eu só não quero falar nada com você. Menino débil...

- Débil?

- ...

3 minutos depois...

- Você não vai me explicar o que tu quis dizer com débil não?

- ...

7 minutos depois?

- Ei, a gente é amigo... vai me respoder não caralho?

- ...

15 minutos depois...

- Porra, não me ignora assim não.

- ...

3 dias depois

- Eu não tenho pressa. Mas você vai ter que me explicar isso direitinho.

- ...

7 dias depois

- Será que dá pra você se apressar? Tô começando a ficar impaciente com o sua falta de consideração a minha pessoa.

- ...

15 dias depois

- Tô ficando cansado com sono e com muita fome e sede.

E 30 dias depois o menino rouba a cena e morre anêmico e desidratado...



 


Postado por Sr. R. at 7:57 PM  

terça-feira, julho 27, 2004


[3:20 PM]

Vai escrevendo ae...


Quem é que nunca falou palavrão na vida?
Quem é que nunca chorou por causa de uma mulher?
Quem é que nunca achou que amava alguém e depois viu que tudo era pura perda de tempo?
Quem é que nunca tocou uma música em uma guitarra tonante e achou que tava fazendo a melodia mais linda do mundo?
Quem é que nunca pediu desculpas pra alguém?
Quem é que nunca criou uma gíria pra língua portuguesa?
Quem é que nunca teve um amigo imaginário?
Quem é que nunca achou que humildade levava a algum lugar?
Quem é que nunca achou que ficar sozinho era sinal de solidão?
Quem é que nunca teve um único real no bolso e comprou um monte de balas e depois descobriu que aquele era o único dinheiro que você tinha pra sua passagem de ônibus?
Quem é que nunca poupou muitos centavos pra comprar uma coisa que você queria muito e no final de tudo você acabou em uma banca comprando uma revista de mulher pelada e um maço de cigarro pra falar que já se marturbava e era grande o suficiente pra despertar desejo das meninas mais velhas?
Quem é que nunca sonhou em comer a irmã gostosa do seu amigo bobão, que na verdade só era o seu amigo bobão até hoje por causa da irmã gostosa?
Quem é que nunca bebeu cerveja no gargalo?
Quem é que nunca fumou haxixe misturado com tempêro verde?
Quem é que nunca cantou uma música em inglês sem fazer a mínima idéia do que tava cantando?
Quem é que nunca sonhou em ter muito dinheiro, em ser famoso ou em viver a custa da mídia?
Quem é que nunca sonhou em tomar banho pelado no Rio Arrudas?
Quem é que nunca quis ser algum animal na vida? - Ohhhh animal!!!
Quem é que nunca fez um gesto obsceno pelas costas dos outros?
Quem é que nunca tirou meleca do nariz e limpou debaixo da mesinha do computador?
Quem é que nunca provou meleca pra saber que gosto tinha?
Quem é que nunca bebeu água do mar pra saber se era salgada?
Quem é que nunca falou fodas pra um monte de coisas?
Quem é que nunca foi mal educado com a tia-avó chata da sua mãe?
Quem é que nunca desgotou de algo que todo mundo adorou?

Quem é que nunca disse nunca pensando em sempre?
Quem é que nunca acreditou em papai noel, coelhinho da páscoa e depois fez um monte de musiquinhas cheias de palavrões pra eles?
Quem é que nunca cansou de falar e escrever nunca e quis parar de escrever simplesmente porque achou tudo Uma grande idiotice...?

????



 


Postado por Sr. R. at 3:20 PM  

sábado, julho 24, 2004


[11:18 AM]

  
 
Formas arredondadas do tronco perfeito.

Querendo o flanco direito dizer me sinta. Querendo o flanco esquerdo dizer me seduza.
Corpo enconlhido. Medo do desconhecido. Medo de conhecer o que não se conhece. Papel sendo datilografado. Sendo preenchido por letras. Com formas.

Olhe meus dedos. Molhe meus dedos. Me sinta mais mulher. Me queira mais mulher, não me deixe aqui. Chorando em cima dos teus lençóis. Me chupe. Me babe. Preencha meu útero. Deixe-o cheio de você.

Dedinhos do pé. Congelados. Cubra-os. Beije-os. Aqueça-os.

Assim.

E depois da esbórnia. Corpos se separam. Melados, suados. Secam ao relento. Como aquele escarro. Que era úmido e pegajoso. E hoje. Ali na parede. Uma simples marca do que foi um dia.
Como eu.

O seu gosto ainda está aqui. Seu cheiro no travesseiro. Meu ventre cheio de você. Mas o corpo não nega. A falta.
O gozo. A véspera do escarro.

he slips into the bedroom
and you know he misses alright
old names, we'll make sweet
will sustain us through the night
inside my bedroom baby
touch me, oh tonight
promises, we'll make some
will reveal our sense of right





 


Postado por Sr. R. at 11:18 AM  

quinta-feira, julho 22, 2004


[3:45 AM]

Espelho

eu sou Rogério Gontijo
ex-bêbado
e punheteiro compulsivo
vomitador madrugueiro de bebida boa
beijador de mulheres de lábios roxos
escritor de poemas celebrando
o vazio do meu amor
poemas famintos pelo momento
da minha paixão
desejando que sempre fosse assim
para que meu pau não caísse

eu sou Rogério Gontijo
ex-homem forte
e amantezinho barato
nomeador madrugueiro de nomes
corruptor dos literatos
escritor de poemas que ousam
que sonham os séculos
a tocar os corações dos que
ainda irão nascer
desejando segurá-los em meus braços
e beijá-los todos

eu sou Rogério Gontijo
ex-poeta
e suicida fracassado
vomitador madrugueiro de verdades e mentiras
beijador dos rabos de garotas
como as estrelas de deus
escritor de poemas para lamber as coxas dos mortos
para as ex-amantes denunciarem
e as professoras odiarem
desejando pintar minha vida
e nunca deixar
que minha voz se cale







 


Postado por Sr. R. at 3:45 AM  

quarta-feira, julho 21, 2004


[8:10 PM]

Meu deus, que dor, que crise, que horror. Quero morrer, quero não ter feito, quero morrer de culpa, mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. O espelho não mostrava o meu reflexo. Contra a luz, eu era um borrão preto. Igualzinho como estava por dentro, o coração cheio de piche. Não, eu não presto. Crise de consciência é coisa de quem não presta. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Injustiça, injustiça das maiores, meu corpo queimando vermelho e roxo, fritando sozinho na cama, mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Ela a caminho do céu e eu tentando encontrá-la na porta do inferno, estúpido, estúpido, mea maxima culpa. Não há o que fazer, não se volta o tempo. Gostaria de encontrar aquele que mandava o passado às favas, mas a culpa me corrói, me mata de um jeito que eu nunca vi, nem conhecia. Não posso dizer que é um prazer, essa coisa cristã se infiltrando em mim, esse peso, esse fado, essas marcas horríveis que doem e me doem e me fazem sentir cada vez pior. Diminuo enquanto caminho, porque eu errei, porque sou estúpido, porque estava errado, muito errado, e eu sabia, e eu continuava porque não queria continuar se não fosse até o fim, essa maldita mania de levar até a pior das covardias até o fim. Quase entrei na igreja para conversar com a nossa senhora, tão branquinha, tão fria, tão de porcelana era aquela nossa senhora, que vontade de botar a cabeça nos pés dela e ficar ali, tentando me sentir melhor, tentando ficar limpo e branquinho que nem ela. Não vai acontecer. Não existe redenção. Não existe nada. Existe apenas o que me corrói até que eu morra e nasça de novo. Bom dia, culpa. Não quero nunca mais te ver em mim.



 


Postado por Sr. R. at 8:10 PM  

terça-feira, julho 20, 2004


[9:30 AM]

 
 
:: Saco de papel

Dor. Sempre essa filha da puta. Sempre ela cobrindo o mundo como uma bomba atômica, arrasando tudo, matando tudo.
Sempre longe, sempre sozinha. Sempre essas lágrimas caindo e entrando na minha gola. Amor demais. Eu amo demais, gente demais. Eu erro demais. Pensei que era um pássaro mas era só um saco de papel. Dor, dor, dor, ela me tem o tempo todo, me corrói o tempo todo. O tempo todo é lento. Sempre lento.
Não, eu nunca vou aprender. As mãos dele tremem demais e eu não consigo segurar e eu queria segurar. Queria a tua mão. Só a tua mão. A tua mão e os teus olhos. Me olha nos olhos. Me dá a mão. Me dá a mão e me olha nos olhos. Me dá a mão e me olha nos olhos e pára de tremer. Te olha no espelho, te olha nos olhos e segura a tua mão.
Fiquei louca de novo hoje. Chorei na frente de todo mundo. Chorei tão baixinho, tão dolorido, gani tão baixinho que ninguém teve coragem de chegar perto. Chorei com os teus olhos na minha cabeça. Amor demais.
Não adianta esconder dos outros quando sabe o que acontece dentro da gente. Não adianta não me olhar pra tentar não ver. Não adianta colocar a sujeira pra baixo do tapete. Alguém sempre acaba achando e mandando limpar tudo, onde já se viu sujeira debaixo do tapete? Limpa a tua sujeira. Limpa as tuas feridas. Limpa a tua alma e a minha junto.
Dor. Sempre essa merda de dor. Sempre. Não agüento mais. Acho que chega.

P.s.: Fotinho da amiga Barbara Allain depois de um tombo de bicicleta pelas ruas de Paris.







 


Postado por Sr. R. at 9:30 AM  

domingo, julho 18, 2004


[7:22 AM]


 
Lugares distantes que se bifurcam o tempo inteiro.
Horas de prazer com desconhecidos e letras inomináveis.
Tem pessoas que são tão melhores do que eu.
Conseguem representar em fotos o que se quer dizer. Enquanto eu, nada mais tenho do que letrinhas comuns.
 
Barbara Allain é a única pessoa que consegue me fazer chorar com fotografias. A simplicidade/cumplicidade das coisas inomináveis. Nada pra se dizer. Desespero angustiante no meio do mar salgado.
 
Winamp tocando maravilhosos acordes, perfeitos demais para mim. Sondas fazendo sons opacos, lambendo feridas aidéticas emagrecidas.
 
Me perdendo em um emaranhado de sensações desconhecidas.
 
Livros, livros, livros... TEORIA.
 
Tudo se perde perto das fotos. Tudo tão frágil. Tão forte. Tão doce. Tão looonge. De mim. De ti. Longe dos olhos que não querem enxergar.
 
Aqui. Ali.
 
Por qualquer lugar que tenha uma rua que dobra as esquinas. Onde as árvores se bifurcam. Galhos prah-lá-ih-prá-cá. Rebeldes.

Cantarolando poesias nordestinas.

Enquanto corpos se perfumam na lama.

Debaixo da imensidão de galhos empenados.

Que se encontram debaixo de uma sombra.

Até o dia de ninguém.

Eu tô chegando... Um dia. Agora. Amanhã. Outrora. No dia que nunca se acaba. Eu chego. Pra dizer olá. Pra querer bem. Pra dizer. Vamos tomar um café, fumar um cigarro. E falar coisas com sotaques carregados.
 
Até amanhã.




 


Postado por Sr. R. at 7:22 AM  

quinta-feira, julho 15, 2004


[5:28 PM]


 
Ruas novas

Quando caminho devagar posso observar melhor os detalhes das ruas novas. É a vantagem de ter mais olhos do que boca. Fico em silêncio enquanto sou invadido de cores que eu não tinha.




 


Postado por Sr. R. at 5:28 PM  



[7:50 AM]

Para quem já conhece Marcèlle Coraline Cecília... Aguardem. Aventuras serão (re)publicadas. As que foram publicadas no extinto VENUS iN FEAR e as novas que não quiseram se publicar. Sete finais para sete começos. Sete dias para sete tardes. Sete horas de sete vidas. Sete minutos de sete argumentos não criados. Sete histórias de setenta e oito parentes não nascidos. Sete textos. Sete sínteses. Não querendo ser nada. Simples apresentações da nossa querida amiga desconhecida mais que conhecida. EM BREVE.


 


Postado por Sr. R. at 7:50 AM  

quarta-feira, julho 14, 2004


[5:23 AM]

:: Rainha Da Gonorréia ::



Tinha vivido por uns tempos na China, e lá aprendeu a arte de domar aranhas sobre as coxas. De volta à terra natal, pelos cantos escuros do Passeio Público, frequentadora assídua de banheirinhos sujos tornou-se a rainha da gonorréia.

By :::Dani Carneiro


 


Postado por Sr. R. at 5:23 AM  

terça-feira, julho 13, 2004


[7:40 AM]

Pequenas histórias sobre o sono

"É foda sonhar pra fora"! "E como é esse lance de sonhar pra fora"? "É o mesmo que sonhar pra dentro, só que tem sempre alguém pra te falar que tudo aquilo vai dar errado".



 


Postado por Sr. R. at 7:40 AM  



[6:00 AM]

Mário Mandran

Mário Mandran, 26 anos de idade. homem pedante. conhecedor de muitas teorias subversivas a respeito de se saber demais a respeito de nada. teorias.

teorias quando não postas em prática nada mais são do que. pó. e assim criaram o aspirador. não, não falo de Augusto Carlos, que também é um aspirador, mas não é desse tipo de pó que eu tô falando. entendidos?

Mário Mandran detesta seu sobrenome, queria ter uma coisa mais chamativa, queria ter um sobrenome mais forte, algo como, castro, napoles, borba, algumacoisaparecidacomisso.

Mário lê seus livros, o quarto com milhares de livros estufando o teto. e daí criaram a lotação. inspiradas no quarto de Marianito Makakito (um carinhoso apelido de Mário Mandran).

Mário se acha o conhecedor do mundo. mas nunca saiu do seu bairro. todas as coisas que ele conhece. o gosto das coisas, a beleza das folhas caindo no outono, a grama verdinha crescendo ao rés do chão, línguas mortas em putrefação. tudo o que Mário conhece é através dos livros. nunca experimentou. gosta de falar que gosta disso e que gosta daquilo, que isso é interessante e que aquilo não é. mas a verdade é que Mário conhece coisas demais. só não conhece... o desconhecido.


 


Postado por Sr. R. at 6:00 AM  

segunda-feira, julho 12, 2004


[4:24 PM]

::: Reescrevendo Marie


Marie era uma menina como outra qualquer, pele branca, cabelos bem curtos e desgrenhados, um sutil piercing de argola saindo da narina esquerda, olhos claros, um ideograma japonês que significava liberdade tatuado na nuca, pequenininho.
Adorava suas saias jeans até o joelho, o tênis sem cadarço de alguma marca famosa que não cabe aqui ser mencionada. Andava sempre com uma mochila cruzando as costas e os seios, usava blusas com estampas divertidas, mensagens subliminares e/ou blusas de uma única cor.

Marie, menina tímida, não se importava de ficar sozinha ou calada em algum canto reservado do pátio naquela instituição de renome, situada em algum bairro nobre numa cidade mineira com um horizonte belo... Marie nasceu em berço de ouro, não precisava trabalhar, não precisava pedir dinheiro para os pais, conseguia sobreviver somente com a pomposa mesada que recebia dos parentes mais distantes, para ser mais específico, que recebia dos avós e dos padrinhos. Mas Marie não se importava com dinheiro, gastava o que podia comprando cds graváveis para copiar suas 'emepetrês' e em livros antigos com páginas faltando ou livros que tinham alguns leves defeitos na capa, alguns ela realmente lia, outros ela simplesmente guardava na escrivaninha-estante improvisada por ela mesma em seu quarto, ou então dava de presente para alguém com uma singela dedicatória em uma data especial. Se existia uma coisa que Marie adorava, essa coisa era fazer dedicatórias, mesmo sabendo que sua letra era estranhamente torta, ela adorava escrever... Dedicatórias... Muitas vezes, os livros não eram tão bons, mas sempre eram lidos por alguém... Somente por causa... Da dedicatória.

Marie tinha dom para escrever, escrevia espontaneamente, conseguia chocar ou persuadir qualquer um, por mais culto ou estúpido que outrem fosse. Ela também gostava de citações em livros, até pensou um dia, quando estava deitada em sua cama em um quarto escuro, ouvindo musica melancólica, escrever um livro chamado: 'Citações'. Onde ela simplesmente escreveria histórias divertidas com citações de personagens gregos antigos, não seria um livro ruim, talvez não tivesse boas vendagens, mas Marie não se importava em ser bem aceita. Gostava do que escrevia. E para ela isso bastava.

Também não tinha muitos namorados, preferia ficar sozinha ao ter que compartilhar/perder seu tempo e espaço com pessoas que estavam interessadas em passar a mão pelas curvas bonitas do seu corpo magro.

Vícios? Tinha alguns. Fumava cigarros com alto teor de alcatrão e nicotina esporadicamente, bebia vodka as quintas-feiras no bar que ficava próximo à faculdade que ela também freqüentava esporadicamente, faculdade de jornalismo, Marie não sabia se esse era um curso promissor, mas gostava dele assim mesmo, apesar da pouca paciência para ficar dentro da sala de aula. Gostava de assistir a jogos de futebol, ouvir música triste e escrever poesias para ela mesma.

Marie achava lindo quando alguém pronunciava seu nome corretamente, mesmo não se importando se fosse meio aportuguesado, mas também não se importava se a chamassem de Maria ou alguma coisa parecida com isso.

Falava baixinho, tinha uma voz doce, porém, Marie sabia, que apesar de todas essas coisas, apesar de ser uma menininha interessante, simpática e pouco voluntariosa para com as coisas, ela tinha a certeza de que era somente mais um corpo no meio da multidão. E por isso. Marie andava por aí... Sem preocupações, cabeça baixa, corpo ereto, e um sutil sorriso com a metade da boca estampado no lindo rosto de traços finos, traços que pertenciam a uma única menina sem sobrenome chamada Marie...



 


Postado por Sr. R. at 4:24 PM  

domingo, julho 04, 2004


[5:58 AM]

Nuvens cinzas no céu azul

Não conheci o cheiro bom, não conheci o rosto bonito, as tatuagens bem feitas. Não olhei nos olhos, não senti o abraço, não bebemos no mesmo copo, não choramos pelo mesmo motivo.

Você me perguntou um dia porque eu só falava coisas quando você estava com um outro alguém. E a verdade é que você me ligava pra falar do outro alguém, chorava pelo outro alguém. Não eram minhas as palavras que você queria ouvir. Eu não podia atropelar tudo isso pelo simples motivo de querer alguém. Não podia. Seria insensível, seria burro demais. Não queria ser só um tapa buraco na sua vida. Te queria. Inteira. Por completo. Não um poço de lágrimas e lamentações. Precisava de tempo.

E agora você tá longe. Tentando superar o choro. Tentando esquecer alguém que ainda dói dentro do peito.

Fiquei magoado em saber o que você pensava a meu respeito. Um simples alguém pra ouvir suas lamentações. A pessoa que falava coisas simplesmente pra tentar fazer sexo com você. Me senti a mais vil das pessoas. Baixo. Detestável. Não estava de saco cheio senhorita. Não estava. Não me cansava de ouvir sua voz doce no telefone. Gostaria de ficar o dia inteiro ouvindo você sussurrar seus 'problemas'. Queria poder varar a noite escrevendo coisas pra você. Mas não era a mim que você queria ouvir. Não era.

Você:
A única pessoa que conseguiu me fazer chorar por dentro. Sem verter uma lágrima sequer.
A pessoa que me deixou vazio na quarta-feira à tarde.
A pessoa que fingiu me querer querendo outrém.
Alguém que me adorava porque eu conseguia ouvir. E não me importava e não me cansava de ouvir.
Chorei.
Não por você. Chorei por mim. Chorei pelo menino de tênis vagabundo nos pés. Chorei pelo escritor medíocre. Chorei pelo cigarro que eu fumava. Chorei pela vida que eu não tinha. Chorei por gostar demais dos outros. Chorei por querer segurar tudo com minhas únicas duas mãos fracas. Chorei pelos meus acordes mal feitos. Chorei por ser eu. Chorei por mim. Chorei por saber que apesar de todos os pesares. Não sou quem eu deveria ser.
Fico com minha consciência tranqüila. Não fui sacana. Não me aproveitei de ninguém, não me aproveitei em nenhum momento da fragilidade da linda menina linda. Poderia, mas não o fiz. Por mim.

Não sei como tudo fica agora. Não sei o que pensar amanhã. Não sei se quero pensar. Não sei se preciso. Não sei se posso.

Não sei se a vida continua ou se tudo vai continuar sendo só mais um amontoado de mentiras coloridas.

Não sei. Essa é a única certeza que eu posso ter. Não saber de nada.


 


Postado por Sr. R. at 5:58 AM  

sábado, julho 03, 2004


[4:37 AM]



Saudade dos meus amigos

E aí se vão longos anos.
Desde o primeiro: "olá, tá afim de tc?"
Senhorita Cupolillo. Menina espontânea, simpática até dizer chega, desprovida de preconceitos, libertária, com um espírito meio revolucionário dentro do peito. Batendo. Descompassadamente.

O passado: No começo as correspondências eram demoradas. Cartas escritas em folhas pautadas. Dois adolescentes descobrindo o mundo. Pessoas 'bulímico-anoréxicas'. Cheias de idéias confusas e indecisões. Pessoas que não faziam idéia do que pensar do amanhã. Cheios de planos e sonhos. Simples ideologias de vida na época.

2 anos se foram. Apareceram namorados, drogas, lágrimas, gargalhadas, as cartas não mais eram enviadas. Parecia que tudo tinha se perdido. Parecia que tudo tinha sido uma simples coisa boa pra se lembrar em dias de chuva, as cartas guardadas em uma caixa de sapatos.

Mas a senhorita Cupolillo reapareceu. Me achou escrevendo em um blog antigo. O saudoso VENUS IN FEAR. E desde então a gente taí. Se apaixonando por coisas. Se queixando de pessoas, experimentando sabores.

Se R. e Senhorita Cupolillo. Irmãos de all stars. A pessoa mais doce do mundo. A menina carioca com aspirações baianas. Uma futura arquiteta, que um dia vai vir conhecer o 'modernismo' (?) de Belo Horizonte.

A única certeza que temos? De que um dia vamos criar coragem, mandar tudo pro espaço e comprar passagens só de ida para Nova Voigordvodina.


 


Postado por Sr. R. at 4:37 AM  

sexta-feira, julho 02, 2004


[9:09 AM]



Sr. R. e senhorita debdamone. Longas conversas se foram.Formigas morrendo de overdose de açúcar em copos de refrigerante vazios. Inacabadas formas de se dizer nada enquanto se está adormecendo. Com os olhos cerrando, quase fechados. Um caso mal resolvido. Uma amizade criada em internet. Conversas ao som de a perfect circle. Gargalhadas invisíveis abafadas por sonoplastias escritas. Cigarros e cinzeiro lotado, com cinzas e guimbas espalhadas por toda a mesa. Meus livros empoeirados, meus olhos bêbados. Minhas mãos trêmulas. Meu corpo querendo ficar cansado. Meu mouse pad nunca me ajuda, sempre me atrapalhando a mexer no word enquanto eu converso, mas esse problema foi resolvido, digamos que o objeto em questão entrou em combustão espontânea, espírito palestino se apossando de mim. FIRE.

Debdamone. Menina linda. Perfeita a sua maneira despojada de ser. Fisioterapeuta nas horas vagas. Menina que sofria enquanto conversava. Fumando, sofrendo por causa de algum amor. Contando coisas do dia. Música. Internet. Enquanto se fumava. Mas senhorita Damone tem alergia a fumaça do cigarro. Mas parece que isso tanto fazia. Dor correndo as entranhas. Lágrimas molhando o peito. Sensações. Descrições. Cantadas. Faladas. Escritas. Paradas.

Bons momentos. Meio sumidos hoje em dia. Mas ótimas conversas todas as vezes que acontece O reencontro.

Sr. R. e Debdamone. Ele escreve, ELA fotografa. Ele fala, ELA vê. Um casal bonitinho nesse mundinho chamado internet. Um caso de amor entre eu e eu. Mas um dia tudo se resolve... Um dia... Tudo se resolve. Como sempre. Como nunca. Como qualquer coisa. Como isso. Como aquilo.

Aqui e agora.
Ontem e hoje.
Foi e tô indo.
Vem e me beija.
Acaba comigo.
Diz não mais uma vez.
Fala...
Por favor.
E assim vamos indo...
Ela lá loooonge...
E eu aqui... Pertinho.


 


Postado por Sr. R. at 9:09 AM  



[4:58 AM]

Vamos ser brandos... Na semana que vem eu volto ao normal e volto a ser eu novamente... Mas agora eu vou ser bastante piegas, um verdadeiro amante paraguaio. Semana que vem as palavras esdruxulas de baixo calão reaparecem... Nada como álcool nas veias no final de semana pra melhorar o humor da gente, aí eu excluo esse monte de post 'nauseante'...

:: música

Eu não aguentava mais ouvir aquele cd. Era ótimo, era da minha banda favorita, mas não dava mais. Eu passei todo o final de semana ouvindo e não queria continuar ouvindo segunda-feira de manhã. Eu estava levando o carro pra lavação e quando faço isso tenho o hábito, por segurança, de retirar tudo o que tem dentro, inclusive o porta-cds. Só ficou esse cd, dentro do som.
Pela primeira vez em muito tempo eu me rendi. Sim: FM. Escolhi uma freqüência modulada qualquer pra não ter que dirigir assoviando ou cantando com minha voz feia. O locutor falava: ?Agora nós vamos desenterrar uma música que deve ter sido pano de fundo pra muito começo de romance?. Antes que desse tempo pra eu mudar de estação ouvi os primeiros acordes daquela música. Meu Deus, música de novela antiga. Que coisa mais brega, fora de tempo, inadequada. Meu Deus, eu adoro essa música. Vergonha, horror. Passei minha sétima série toda, quiçá a oitava, dançando essa música com as minhas colegas de classe. Ainda sei cantar inteirinha. E cantei, feliz, lembrando as festinhas com muita coca-cola e poucos beijos, talvez uns selinhos inexperientes daquelas pequenas pessoas de doze ou treze anos.
Parei no sinal. Do meu lado um ônibus lotado, como era habitual naquele início de manhã. Em uma das janelas estava uma menina linda com a cabeça encostada na janela, olhos fechados, fones no ouvido e cantando aquela musica. Sim, a menina devia ter enjoado da sua fita ou do seu cd e estava ouvindo rádio. A mesma estação. Eu queria gritar ?Hei, menina, olha aqui, também sei a letra, eu gosto dessa música?.Mas acho que ela não queria que ninguém gritasse. Seus olhos fechados não deviam ser de cansaço, muito menos do famigerado sono de um início manhã. Ela devia estar lembrando do selinho desajeitado que ganhou de algum rapaz quando ela tinha treze anos, ou talvez dos tempos em que dançava coladinha com o menino que a adorava e ela sempre desprezou.
Por um momento desejei que aquele ônibus parasse e eu a convidasse pra dançar coladinho aquela música de novela antiga, tocando numa FM qualquer. Quem dera fosse eu quem tivesse dado o selinho desajeitado naquela menina, que ia embora num ônibus lotado em uma segunda-feira de manhã.

P.s.: Selinho selinho selinho... a gente já passou da época do selinho... mas... era pra ser braaando.



 


Postado por Sr. R. at 4:58 AM  

quinta-feira, julho 01, 2004


[5:04 AM]

Tons menores

Eu pensei sobre isso o dia todo. Seria óbvio não ir até lá. Mas por aquelas fraquezas que deixam você confuso eu hesitei. Não se hesita nessas situações, o risco é muito grande. Pois bem, fui.
O caminho era o de sempre, tudo do mesmo jeito, a rua de pedras tortas, os jornais molhados, borrados, na frente das portas dos vizinhos descuidados. Eu não sabia se a areia do chão estava com a cara da chuva fraca que caia ou se refletia meu rosto choroso, procurando abraço. Saudoso abraço. Mesmo só passando um dia, cada hora cumpriu impiedosamente sua tarefa de me fazer sentir sua falta. Tinha certeza que ela não estaria. Aliás, essa era a única certeza que eu tinha: ela não estava mais lá. Por um lado foi bom: fiquei do lado de fora imaginando lá dentro. Obviamente imaginei do jeito que me era conveniente, e a única conveniência na hora era pensar que tudo fosse um pesadelo. Pensei nela abrindo o armário e escolhendo a roupa que mais gostava. Nela se aprontando rápido pra não me deixar esperando. Nela chegando linda, me dando um beijo nos lábios.
A vizinha descuidada foi apanhar o jornal por causa da chuva. Ela me viu ali no meio da rua, sentado sob a garoa. Acho que ela se comoveu um pouco com a situação, mas não me dirigiu uma só palavra. Ouvi aquela simpática senhora reclamar, dizendo que o jornaleiro não cuidava com a entrega, o jornal não vinha mais dentro de um plástico e ficava exposto à chuva. Assim como eu. Acontece que eu não sou um jornal e cada lágrima que eu derramava fazia o jornal borrado daquela senhora parecer absolutamente banal. Nessa hora eu desejei do fundo da alma que tudo o que eu tivesse pra me preocupar fosse um jornal ilegível. Ilusão. Minhas notícias estavam mais nítidas do que nunca. Minha manchete, sarcasticamente, dizia: Ela não volta mais. Levantei do chão molhado e toquei a companhia da simpática senhora.
- Olá, será que a senhora podia me fazer uma favor?
- Claro meu querido. Mas saia da chuva, você pode ficar doente.
- Não tem problema não. É rápido. Sabe a menina que mora aqui do lado? Queria que a senhora desse um recado pra ela quando ela voltar.
- Olha, eu sinto muito, mas....Você era amigo dela? Você não soube? Ela...
- Eu soube sim. Me desculpe...eu só queria fingir que é mentira. Só um pouquinho. Desculpe.
Voltei por aquele caminho de pedras tortas, com a areia agora encharcada, torcendo pra que ela viesse correndo, pedindo desculpas por estar atrasada, com aquela roupa linda, com aquele abraço, com aquele beijo, com aquele pouco de eu. Acontece que a simpática senhora disse que ela não estava mais lá. Aliás, essa era a única certeza que eu não queria ter.


 


Postado por Sr. R. at 5:04 AM  

 


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