Um dia acaba ::  

Porque tudo que nasce morre um dia, porque tudo o que nasce deformado tem vida curta. Porque outrora é um vazio chamado agora. Porque decadência e elegância são duas putas com esperma no meio das coxas. Porque nada tem meio. Porque gemer é bem melhor do que recitar. Porque aqui as palavras inacabadas tem fim. Porque tudo acaba. Um dia acaba.
(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera provocação).



quarta-feira, novembro 10, 2004


[5:21 PM]




 


Postado por Sr. R. at 5:21 PM  

sábado, novembro 06, 2004


[3:21 PM]

::: Um dia qualquer quaisquerando


O dia começa e a gente nunca sabe como é que ele termina. Pode terminar esquecido em um porre homérico, com o corpo dolorido acordando no dia seguinte numa mesa de bar (qualquer). O gosto de cigarro paraguaio impregnado na língua, acordando com ressaca, dor-de-cabeça (ou seria dor na cabeça?), a camisa amarrotada, cheiro de álcool fermentado ou vinho vagabundo borbulhando pelos poros. O corpo fedorento. Os olhares desdenhosos dos transeuntes bem comportados. A decadência caminhando pelos ruas.

Enquanto se termina a noite caminhante por qualquer lugar. As baratas te fazem companhia, fazendo côcegas nos pés descalços (ou seriam beijos naqueles que não as pisam?).

Fumaça saindo da boca, não, o dia está insuportavelmente quente, não está frio, a fumaça só pode ser bafo. Enxôfre do diabo que te cutuca as costas com o tridente te levando pro caminho onde os olhos não se cruzam.

Pára por ali. Em qualquer quaisquerando qualquer coisa. Querendo tudo quaisquerando desdém, amor, sêmem, ventres que clamam por caralhos que socam até o útero.

A noite termina, ele ouvindo Calbi Peixoto com sua eterna música Conceição tocando em alguma vitrola velha que funciona com fichas, a ficha foi colocada por algum velho apaixonado, de oitenta e tantos anos de idade, o velho que mais tarde... Seria ele... Quaisquerando vinténs para ouvir eternas músicas que se tornaram póstumas diante os olhos da geração que nasceu logo ali... Semana passada... Num hospital qualquer.



 


Postado por Sr. R. at 3:21 PM  

terça-feira, novembro 02, 2004


[3:58 PM]

Literatura brasileira travestida de literatura clássica

- Olha, vocês não foram muito bem na prova.
- Deve ser porque você pediu elementos da narrativa sendo que a senhora só nos deu aulas de literatura clássica.
- Mas na questão vocês tinham que me falar a respeito do trágico aristotélico levando em consideração os elementos da narrativa. Vocês só tinham que me falar do trágico na obra São Bernardo.
- Ahhhh tá... E foi isso que eu fiz.
- Então você não vai ter uma nota ruim...
- Não, você tá dando esporro em todo mundo!
- Tá mas eu levei em consideração muita coisa...

(Estruture, escreva a tinta. Ser acadêmico é deixar margem pro seu professor fazer observações.) - Pra mim ser acadêmico é fazer textos no computador, ninguém entrega trabalhos a tinta, até mesmo porque os professores exigem que eles sejam digitados.
Ok. Minha professora tem 70 e todos os anos, talvez ela nem saiba que o mundo tenha se informatizado.

Não se deve escrever o que te vem à cabeça. Você deve aprender a estruturar o que você escreve. - E assim disse a esposa viva do Cristo morto na terra.
E no fim da história a gente aprende que tudo pode ser levado em consideração.


 


Postado por Sr. R. at 3:58 PM  

 


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